
Depois de a sessão de quinta-feira ter levado o S&P 500 a ultrapassar os 6.500 pontos pela primeira vez, os principais índices norte-americanos despedem-se do mês de agosto com perdas, pressionados por um “sell-off” no setor tecnológico, no mesmo dia em que se conheceram os dados do indicador de inflação preferido da Reserva Federal (Fed).
O S&P 500 cedeu 0,64% para os 6.460,26 pontos, o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 1,15% para os 21.455,55 e o Dow Jones recuou 0,20% para 45.544,88 pontos.
O índice de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla inglesa) subjacente, que exclui os preços dos alimentos e a energia por serem mais voláteis, subiu 0,3% em julho, em cadeia. Já em termos homólogos, este indicador de inflação subiu 2,9%, o maior aumento desde fevereiro.
Apesar de os dados terem ficado em linha com a expectativa dos mercados, sinais de pressões persistentes sobre os preços sublinham o desafio da Fed em reduzir as taxas de juro para evitar mais fraqueza no mercado de trabalho. Os investidores continuam a apostar que a Fed irá avançar com um corte de juros já na próxima reunião de setembro. A dúvida está no que virá a seguir.
Além dos números da inflação, os gastos do consumidor norte-americano aumentaram em julho. As despesas de consumo pessoais nos Estados Unidos cresceram 0,5% em relação ao mês anterior, para perto de 21 biliões de dólares, acelerando face ao aumento revisto em alta de 0,4% em junho. O valor marca a subida mais acentuada em quatro meses, apesar da crescente incerteza económica e dos elevados custos de financiamento.
E à medida que nos aproximamos de setembro – um mês conhecido pela acrescida volatilidade nas negociações e que costuma ser negativo para os principais índices -, a atenção dos investidores vira-se para o relatório do emprego de agosto, que poderá oferecer mais pistas sobre o rumo que os decisores de política monetária irão seguir.
“Com os mercados a preverem, na sua maioria, um corte nas taxas em setembro, o único risco real é o relatório sobre os empregos de agosto”, disse Anna Wong, da Bloomberg Economics. “Um resultado fraco irá consolidar o corte, enquanto apenas uma surpresa positiva genuína poderá abalar a convicção do mercado”, acrescentou.
O governador da Fed Christopher Waller, apelou nesta quinta-feira à redução das taxas em um quarto de ponto percentual (25 pontos-base) em setembro e antecipou cortes adicionais nos próximos três a seis meses. Embora o membro do banco central não veja atualmente a necessidade de um corte excessivo, a situação poderá mudar se o relatório sobre o emprego, previsto para a próxima semana, “apontar para um enfraquecimento substancial da economia e a inflação permanecer bem contida”.
A negociação na última sessão de agosto foi ainda marcada por um “sell-off” no setor tecnológico, particularmente em empresas ligadas à inteligência artificial. Isto depois de a Marvell Technology ter apresentado um “outlook” que suscitou preocupações quanto à procura por equipamentos para centros de dados. A empresa fechou o dia a afundar 18,6%.
Já a Dell Technologies tombou 9%, após ter registado menos vendas de servidores de inteligência artificial do que nos três meses anteriores, a par de ter reportado margens de lucro que ficaram aquém das estimativas dos analistas. Na mesma linha, a Super Micro Computer recuou mais de 5%, depois de ter alertado que as deficiências nos seus controlos relacionados com divulgações financeiras poderão, se não forem corrigidas, prejudicar a capacidade da empresa de reportar resultados “de forma precisa”.
Entre as “big tech”, a Nvidia caiu 3,34%, a Alphabet subiu 0,55%, a Microsoft recuou 0,58%, a Meta perdeu 1,65%, a Apple deslizou 0,18% e a Amazon cedeu 1,12%.