
A Standard & Poor’s elevou esta sexta-feira o rating da dívida soberana portuguesa para A+ com perspetiva estável. A decisão surpreendeu os analistas, que antecipavam que a agência de notação financeira não procedesse a qualquer alteração, até porque já tinha revisto em alta a classificação da dívida de Portugal há seis meses, então elevando-a de A- para A.
No relatório, a Standard & Poor’s justifica a decisão com as “expectativas de ainda maior desalavancagem financeira externa da economia portuguesa”. “Acreditamos que Portugal continuará a apresentar excedentes na balança corrente apesar de uma maior incerteza global e no comércio”.
Os analistas da S&P referem que “Portugal está relativamente protegido dos efeitos diretos do acordo comercial entre a UE e os EUA, sendo uma economia baseada nos serviços e com apenas 7% das suas exportações a terem como destino os EUA”. A agência considera ainda que “o robusto setor do turismo” deverá compensar parcialmente o efeito das tarifas no crescimento económico da Zona Euro.
A agência diz ainda ter a expectativa de que Portugal “manterá uma trajetória orçamental saudável apesar da fragmentação do Parlamento e a, de alguma forma, instável política doméstica”. A Standard & Poor’s considera que “o Governo pode contar com a abstenção do PS para aprovar o Orçamento do Estado para 2026”. Mesmo que isso não suceda, acrescenta, o Governo poderá manter a disciplina orçamental com uma governação por duodécimos.
O peso da dívida pública no produto interno bruto (PIB) também deverá continuar a baixar, com a S&P a antecipar que em 2028 esse valor se situe nos 81,9%, ou seja 13 pontos percentuais abaixo do registado no ano passado (94,9%).
Em termos de desempenho da economia nacional, a Standard & Poor’s aponta para um crescimento de 1,7% este ano, que acelerará para 2,2% no próximo, regressando aos 1,7% em 2027 e 2028. A agência estima que o mercado laboral se mantenha “robusto”, com uma taxa média de desemprego de 6,5% entre 2025 e 2028.
Notícia atualizada às 21:37