
As ações da dinamarquesa Orsted caíram para o nível mais baixo de sempre depois de Donald Trump ter ordenado a paragem das obras do parque eólico “offshore”, apesar de estar 80% construído, com 45 das 65 turbinas instaladas.
A Orsted chegou a afundar 19% na bolsa de Copenhaga esta segunda-feira, mesmo depois de a empresa ter tentado tranquilizar os investidores de que a crise está sob controlo e de dar conta do plano para levantar 60 mil milhões de coroas dinamarquesas com a emissão de direitos (9,4 mil milhões de dólares ou 8 mil milhões de euros ao câmbio atual), segundo a Bloomberg.
Foi na passada sexta-feira que a administração dos Estados Unidos emitiu uma ordem de paragem das obras do chamado Revolution Wind, um projeto que, segundo estimativas da Jefferies International, citadas pela mesma agência, tem um custo na ordem dos 4 mil milhões de dólares.
Esta é a mais recente de uma série de travagens impostas a projetos de energia eólica pela Administração de Donald Trump, que declarou na quinta-feira que “o vento não funciona”.
O projeto Revolution Wind, cuja construção começou no ano passado depois de receber todas as autorizações, estava a ser construído para abastecer mais de 350.000 residências no estado de Rhode Island, de acordo com a empresa dinamarquesa de energia renovável, detida em 50,1% pelo Estado dinamarquês. Tinha data de conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.
Matthew Giacona, diretor da agência governamental para a gestão da energia oceânica (BOEM, na sigla inglesa), publicou uma carta com a ordem de “suspensão de todas as atividades em curso” pelo projeto, para permitir uma revisão do mesmo, citando, sem mais detalhes, “preocupações relativas à proteção dos interesses de segurança nacional”.
A Orsted chegou a pensar investir em Portugal, mas depois acabou por desistir do leilão “offshore”, na sequência de maus resultados financeiros.
A 11 de agosto, a energética registou a sua maior queda de sempre, tropeçando 29,65% em bolsa para mínimos de 217,1 coroas dinamarquesas (36,3 euros). Esta segunda-feira os títulos tocaram o mínimo histórico de 173,4 coroas dinamarquesas por ação (23,2 euros).