
França sob pressão com moção de confiança de Bayrou. CAC-40 cai mais de 2%
A moção de confiança apresentada pelo primeiro-ministro francês, François Bayrou, não está a dar descanso aos mercados europeus – principalmente a Paris, que está a desvalorizar mais de 2% esta manhã. Os principais índices europeus estão a negociar em território negativo, numa sessão marcada ainda pela nova investida de Donald Trump, presidente dos EUA, contra o banco central do país, que está a afastar os investidores de ativos de risco por todo o mundo.
A esta hora, o Stoxx 600, “benchmark” para a negociação europeia, recua 0,83% para 554,20 pontos, enquanto o francês CAC-40 cede 2,10% para 7.677,97 pontos. A banca é o setor que regista o pior desempenho esta manhã, desvalorizando mais de 2%, com o Commerzbank a liderar as perdas setoriais (cai cerca de 6%), depois de os analistas do Bank of America terem revisto em baixa a recomendação da instituição financeira alemã.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro francês decidiu avançar com uma moção de confiança ao Governo já para dia 8 de setembro. O objetivo é forçar a oposição a tomar uma posição sobre as propostas orçamentais já apresentadas pelo Executivo que lidera e que preveem cortes de 44 mil milhões de euros para reduzir o endividamento do país. No entanto, o mais provável é que este voto leve à queda do Governo gaulês, com a extrema-direita e o bloco de esquerda na Assembleia Nacional a prometerem chumbar a moção.
França encaminha-se assim para uma nova crise política, isto depois de o anterior Executivo, liderado por Michel Barnier, ter colapsado após um processo atribulado no Orçamento do Estado para 2025. Caso a moção seja reprovada, o Presidente Emmanuel Macron tem três caminhos possíveis: nomear Bayrou novamente como primeiro-ministro, escolher um novo nome ou levar o país, mais uma vez, a eleições legislativas.
“Tem havido muita complacência nos mercados em relação à situação orçamental em França“, começa por explicar Vincent Juvyns, estratega-chefe de investimentos do ING, à Bloomberg. “O que já está claro é que, de uma forma ou de outra, as ‘blue chips’ [as cotadas mais valiosas] do CAC-40 serão chamadas a contribuir ainda mais, o que pesará sobre o índice”, conclui.
Entre as principais movimentações de mercado, a Orsted recupera 3,35% para 185,10 coroas dinamarquesas, depois de as ações da empresa de energia renovável terem caído mais de 16% na sessão anterior, atingindo mínimos históricos.
Nos resultados por praças, Frankfurt desvaloriza 0,52%, Madrid cai 0,88%, Londres cede 0,70%, enquanto Amesterdão desliza 0,18% e Milão perde 1,19%.