
“Vamos embora.” As palavras da ministra da Administração Interna (MAI) Maria Lúcia Amaral eram de circunstância, mas ficaram-lhe gravadas na pele. Foram ditas quando os jornalistas começavam a fazer perguntas sobre os nove incêndios que àquela hora os bombeiros descreviam como muito preocupantes. Maria Lúcia Amaral saiu da sala para onde tinha convocado a imprensa para o que foi anunciado como uma comunicação ao País, mas não seria muito mais do que o anúncio do prolongamento da situação de alerta até terça-feira. Falou menos de cinco minutos, quando autarcas como o presidente da Câmara da Mêda (eleito pelo PSD) se queixavam à imprensa de se sentirem abandonados. E as palavras ficaram a ecoar nas televisões: “Vamos embora.”
Contactado pela VISÃO, o MAI não quis fazer qualquer comentário nem explicar o racional por trás de uma gestão de comunicação que fez, por exemplo, com que fosse o secretário de Estado, Rui Rocha, a falar ao País para anunciar a vinda de dois aviões suecos, numa conferência de imprensa na qual o Presidente da República e o primeiro-ministro, formalmente o responsável máximo da Proteção Civil a nível nacional, ficaram em silêncio.