Combustível criado a partir de resíduos humanos moveu um autocarro durante 5 anos

Investigadores espanhóis transformaram a linha de autocarro V3, em Barcelona, num veículo experimental movido a gás natural renovável puro, fruto de resíduos humanos. O teste do biocombustível decorreu durante cinco anos e o veículo não produziu odores desagradáveis.

Combustível criado a partir de resíduos humanos moveu um autocarro durante 5 anos


Durante cinco anos, investigadores da empresa de distribuição de água Veolia trabalharam em parceria com a empresa de transportes públicos TMB e a Universidade Autónoma de Barcelona para abastecer o transporte público da cidade com biometano proveniente de resíduos humanos.

Este foi mais um passo na procura que empresas e investigadores têm conduzido para tornar as infraestruturas mais verdes, nomeadamente o transporte público.

Neste caso, a equipa procurou explorar uma alternativa viável que cubrisse as necessidades de transporte nos arredores da cidade de Barcelona, onde os autocarros elétricos não são suficientemente eficientes devido à sua menor capacidade de passageiros e alcance limitado.

Biocombustível a partir de resíduos humanos para autocarros mais eficientes

Os investigadores utilizaram a estação de tratamento de Baix Llobregat, uma das maiores estações industriais de purificação de água da Europa, para desenvolver um combustível renovável que emite 80% menos dióxido de carbono do que o gás natural.

A estação foi concebida para processar cerca de 400.000 metros cúbicos de águas residuais por dia, com 95% da água a ser “regenerada” e reutilizada na irrigação agrícola e urbana, na reposição de águas subterrâneas, entre outros fins. Durante secas extremas, poderia até ser usada para produzir água potável.

A parte dos resíduos humanos é normalmente transformada em material seco para uso agrícola, com 250 toneladas métricas dessa substância específica produzidas pela instalação todos os dias.

Conhecido como Nimbus, o projeto conduzido em Barcelona transformou quatro metros cúbicos de resíduos por hora em dezenas de quilogramas de biometano, um combustível renovável produzido através da refinação do biogás até uma concentração de metano de 90% ou superior.

Ao remover o CO2 e outras impurezas, o biometano fica puro o suficiente para ser distribuído diretamente através dos gasodutos existentes ou utilizado em veículos com motores a gás natural.

De acordo com investigadores espanhóis, o biogás proveniente de lamas humanas contém 65% de metano e 35% de dióxido de carbono. Contudo, o processo da Veolia para produzir biometano não envolveu a separação dos dois gases.

Os investigadores combinaram o CO2 com hidrogénio, proveniente da água da estação de tratamento e de fontes renováveis, por forma a transformar “quase” todo o biogás em biometano.

O combustível não emite mais CO2 do que a quantidade que armazena, mas são produzidas quantidades muito pequenas de óxidos de azoto e partículas finas.

Fonte: LIFE NIMBUS

Os investigadores produziram, desta forma, combustível suficiente para fazer a linha de autocarros V3, em Barcelona, percorrer 100 quilómetros todos os dias.

Após cinco anos de um teste bem-sucedido, o projeto Nimbus vai dar forma a um novo projeto denominado SEMPRE-BIO. Os investigadores espanhóis vão aproveitar o que aprenderam até agora, aumentando a produção de biometano para 10 a 12 metros cúbicos por hora para alimentar uma linha de autocarros adicional.

Futuramente, a equipa espera que estes projetos-piloto limitados se transformem em iniciativas industriais em grande escala para o transporte público com base em fontes verdadeiramente renováveis, como os resíduos humanos.