Cinco vinhetas de uma viagem pela Europa

A emigrante na Suíça. Num miradouro a 1.300 metros de altitude, sobre a turística Interlaken, sentamo-nos para comer qualquer coisa ao final da tarde. A empregada do restaurante apareceu, sorridente, a falar português com sotaque minhoto. A L. está na Suíça há 12 anos, casou com um alemão, aprendeu a língua. Não lhe passa pela cabeça voltar a Portugal. Os salários “são mesmo muito baixos” e o custo de vida já não é o que era. Mas não é só isso. “No turismo, em Portugal, sei que tenho hora de entrada, mas não de saída”, disse. Na Suíça trabalha muito, mas não há trabalho extra sem pagamento, seja em dinheiro ou em tempo de descanso. A L. notou, com lucidez, que ali as pessoas não são naturalmente mais bondosas – o que há é fiscalização das regras. Instituições, portanto.