Céu caótico: soldados ucranianos param os seus próprios drones ao tentar parar os russos

A guerra na Ucrânia tem sido conduzida, também, por drones, com a tecnologia a ocupar um lugar de destaque. Em curso há mais de três anos, o conflito parece estar a transformar o céu num lugar caótico: os soldados ucranianos bloqueiam os seus próprios dispositivos ao tentar parar os dos russos.



Uma reportagem do Business Insider dá conta de que, às vezes, os soldados ucranianos bloqueiam acidentalmente os seus próprios drones ao tentar parar os dos russos.

Segundo Dimko Zhluktenko, um operador de drones das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, que já operou dispositivos de ataque e de reconhecimento, a sua unidade foi recentemente vítima da chamada friendly electronic warfare (EW) – em português, guerra eletrónica amigável.

Descrevendo-a como algo que acontece frequentemente, o operador partilhou que muitos dos drones ucranianos “usam as mesmas frequências que os dos inimigos”. Por exemplo, os dispositivos de reconhecimento e ataque Zala da Rússia e os de reconhecimento Shark da Ucrânia.

A Ucrânia utiliza o Shark para identificar alvos que outras armas ucranianas podem, depois, destruir, incluindo comboios de artilharia russos. Por sua vez, a Rússia opera o Zala para identificar alvos ucranianos e atacar ativos, como tanques e artilharia.

Drone em contexto de guerra

A guerra encheu o céu de drones

Conforme explicado, o enorme volume de drones utilizados na invasão da Ucrânia pela Rússia resultou numa batalha eletrónica, com interferências ruidosas e cortes de ligações, que confundem os dispositivos inimigos e frustram os operadores que tentam utilizá-los para ataque e vigilância.

Este caos impulsionou novos desenvolvimentos em EW, bem como esforços para contornar a guerra eletrónica, como drones de fibra ótica e sistemas com Inteligência Artificial.

Segundo Dimko Zhluktenko, há tantos drones no céu que os soldados ucranianos têm de tentar coordenar quando voam com drones, por forma a tentar evitar o bloqueio acidental dos dispositivos do seu próprio lado.

Pela sua experiência, num único troço de 1,6 km da linha da frente, pode haver mais de 60 drones no céu.

Na sua área, especificamente, um troço de cerca de 4,8 km, pode haver em torno de três grandes drones de reconhecimento russos em voo a qualquer momento.

Além dos drones, contudo, há muitas outras coisas no ar, dificultando ainda mais a distinção, pelos soldados, do que pertence a cada lado.

Anteriormente, ao mesmo órgão de comunicação com o qual falou agora, Zhluktenko explicou que pode ser tão difícil distinguir os drones que os soldados de infantaria entram, por vezes, em pânico: “Eles literalmente clicam em todas as frequências para serem interferidas, porque estão com medo”.

Guerra na Ucrânia abriu o debate sobre uso de drones na guerra

O uso de drones é maior nesta guerra do que em qualquer outro conflito da história. Entre os sistemas estão os grandes drones de reconhecimento mais tradicionais, os novos dispositivos de ataque pequenos e os dispositivos com armamento, como armas de fogo e granadas.

Estas armas são projetadas para atacar e recolher informações sobre o inimigo, bem como orientar outras armas e forças de combate.

À medida que os exércitos ocidentais procuram adotar pequenos drones de novas formas, as preocupações com a confusão no campo de batalha, onde se inclui o céu, são uma prioridade.

Afinal, o Business Insider recorda que imagens de combate da Ucrânia mostraram tropas “a questionar freneticamente” se o drone acima delas estava do seu lado, sendo o tempo de perceção demasiado curto.

Com a evolução da guerra, as tropas ucranianas e russas estão a trabalhar nestes problemas em tempo real, aprendendo lições e reunindo conhecimento que poderá ser usado em guerras futuras.

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