
França com dificuldade em recuperar de “sell-off”. Europa dividida entre ganhos e perdas
As principais praças europeias estão a negociar entre ganhos e perdas esta quarta-feira, num dia marcado pela grande antecipação em torno dos resultados da Nvidia – a empresa com maior capitalização de mercado do mundo – e por um ajuste de posições depois do “sell-off” registado no início da semana. A iminente crise política em França levou os investidores a afastarem-se dos ativos gauleses e adensou as perdas no mercado acionista europeu, numa altura em que as investidas de Donald Trump contra a Reserva Federal (Fed) norte-americana e a perceção de erosão da independência das instituições do país levou os “traders” a procurarem refúgio.
O Stoxx 600, “benchmark” para a negociação europeia, avança uns ligeiros 0,07% esta manhã para 554,57 pontos, após duas sessões consecutivas em território negativo. Já o francês CAC-40 valoriza 0,17%, reduzindo de forma bastante modesta o saldo negativo semanal, depois da apresentação de uma moção de confiança por parte do Executivo de François Bayrou ter apanhado os mercados de surpresa e pressionado as ações do país – com a banca na linha da frente das perdas.
Com esta crise política como pano de fundo, os investidores olham agora para os resultados da Nvidia para avaliar a sustentabilidade do “rally” das empresas ligadas à inteligência artificial. Além de um barómetro do setor, as contas da tecnológica vão ainda servir para medir o impacto da rivalidade dos EUA e da China nas fabricante de semicondutores – um dos principais pontos de colisão entre os dois países.
“Os resultados da Nvidia vão ser decisivos para os mercados europeus no curto prazo”, explica David Kruk, diretor de negociação da La Financière de l’Echiquier, à Bloomberg. Para o analista, “a situação francesa não é um fator determinante para a recuperação europeia em geral, podendo até incentivar algumas compras em baixa”, acrescentou.
Entre as principais movimentações de mercado, a Givaudan chegou a cair mais de 3% esta manhã, tendo, entretanto, reduzido as perdas para apenas 0,56%, depois de a empresa ter informado que o seu CEO, Gilles Andrier, iria abandonar as rédeas da fabricante de cosméticos. Por sua vez, tanto o Deutsche Bank como o Commerzbank caem, com perdas respetivas de 2,58% e de 2,65%, após o Goldman Sachs ter revisto em baixa as suas expectativas para a valorização das duas instituições financeiras em bolsa.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 0,23% enquanto o espanhol IBEX 35 cede 0,55% e o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,75%. O neerlandês AEX avança 0,07% e o britânico FTSE 100 acelera 0,19%.