Banca portuguesa resiste a pagar mais pelos depósitos devido ao excesso de liquidez

A banca portuguesa continua a ser das menos propensas a aumentar a remuneração dos depósitos, em grande parte devido ao excesso de liquidez que mantém no sistema. , Portugal registou no primeiro trimestre deste ano um dos rácios de transformação de depósitos em crédito mais baixos da Zona Euro, fixando-se em 64%. Ou seja, por cada 10 euros aplicados, apenas 6,4 euros foram concedidos em empréstimos pelos três maiores bancos nacionais – a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Comercial Português e o Novo Banco.

Este rácio coloca Portugal apenas acima da Lituânia (35%) e da Grécia (63%), mas muito abaixo da média da Zona Euro, que se situa em 102%. Países como Espanha (98%), Alemanha (116%) ou os Países Baixos (109%) apresentam valores significativamente superiores. O contraste é ainda maior face ao período da troika, quando o rácio nacional ultrapassava os 160%.

A falta de necessidade de captar depósitos ajuda a explicar por que razão os bancos portugueses oferecem uma das remunerações mais baixas da região. Em março, a taxa média dos novos depósitos a prazo para particulares situava-se em 1,69%, caindo para 1,43% em junho. Portugal ocupa assim o quarto lugar entre os países que menos pagam, bem abaixo da média da Zona Euro, de 1,81%. “Seria muito estranho que o mercado português fosse competitivo ao nível dos depósitos quando há excesso de liquidez no sistema”, admitiu recentemente o presidente do Santander em Portugal, Pedro Castro e Almeida.

A Autoridade da Concorrência já assinalou que “a repercussão da remuneração dos depósitos da banca no Banco Central Europeu na remuneração dos depósitos aos clientes bancários ocorreu de forma lenta e incompleta”. O Banco de Portugal, apesar de críticas, tem lembrado que não dispõe de instrumentos para forçar alterações. Ainda assim, os bancos foram rápidos a refletir a descida das taxas do BCE iniciada em junho de 2024, antecipando-a mesmo em seis meses.

Este contexto, porém, confere alguma robustez ao setor. A banca portuguesa surge entre as mais resilientes da Zona Euro perante uma eventual fuga de depósitos. No rácio de liquidez de curto prazo (LCR), Portugal regista 305%, muito acima da média europeia de 156%. Já no rácio de longo prazo (NSFR), atinge 169%, contra 126% na região, sendo apenas superado pela Lituânia.