
As ações asiáticas recuaram dos máximos históricos atingidos na sessão anterior e estão, esta quinta-feira, a negociar com perdas nos últimos minutos. Tudo devido às declarações do secretário do Tesouro dos EUA. Scott Bessent afirmou que esperava que o Banco do Japão (BoJ) aumentasse as taxas de juro do país para controlar a inflação, já que está a “ficar para trás”.
“Quando Bessent fala, os mercados ouvem, e agora ele quer um iene mais forte”, disse Rodrigo Catril, estratega do National Australia Bank, em declarações à Bloomberg. “Pelo menos nos últimos dias, o mercado parece estar a prestar mais atenção às palavras de Bessent”, acrescentou. As observações do secretário do Tesouro norte-americano sobre o BoJ são um caso raro de repreensão às decisões políticas de um banco central estrangeiro.
De acordo com os dados recolhidos pela Bloomberg, 42% dos economistas que acompanham o banco central japonês antecipam em 42% um aumento dos juros em outubro, sem alterações no encontro de setembro.
O iene registou a maior subida em duas semanas e a divisa nipónica valorizou 0,7% em relação ao dólar, levando a que as ações japonesas cedessem: o Topix perde 1,12% para 3.057 pontos e o Nikkei recua 1,40% para 42.669,19 pontos. Na China, o Shanghai Composite desceu 0,25% para 3.674,33 pontos, enquanto o Hang Seng, em Hong Kong, perdeu 0,4% para 25.511,44 pontos.
Ainda na Ásia, as ações de tecnologia caíram, com o índice de tecnologia da MSCI a cair 1,3%. A Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSM) e a SK Hynix lideraram a queda das ações de “chips”, com recuos de 1,17% e 0,5%, respetivamente, enquanto a Tencent Holdings registou ganhos de 1,2% após os seus resultados trimestrais terem superado as estimativas dos analistas.
A pressionar ainda mais o sentimento, o “rally” registado na sessão anterior nas bolsas asiáticas e norte-americanas sofreu um travão, com os investidores a adotarem um tom mais moderado em relação a um corte de juros pela Reserva Federal na reunião do próximo mês, ainda que Bessent tenha também pressionado a política monetária do banco central norte-americano, mas na outra direção.
O secretário do Tesouro sugeriu, numa entrevista à Bloomberg Surveillance esta quarta-feira, que a taxa de referência deveria ser, pelo menos, 1,5 pontos percentuais mais baixa do que é agora. Disse ainda que os governadores poderiam ter reduzido as taxas mais cedo se estivessem “cientes” dos dados revistos sobre o mercado de trabalho que foram divulgados alguns dias após a última reunião, e que mostraram espelharam as fragilidades do mercado laboral dos EUA. Sugeriu, por fim, um corte de 50 pontos base na próxima reunião, em setembro.
Neste contexto, Wall Street deverá registar ganhos ligeiros na sessão desta quinta-feira, bem como na Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a caírem 0,2%.