Dinamarca corta para metade a previsão de crescimento por “culpa” da Novo Nordisk

A Dinamarca reviu em baixa a previsão de crescimento económico para 2025, cortando-a de 3% para apenas 1,4%, numa decisão que o Ministério da Economia atribui sobretudo à quebra de dinamismo da Novo Nordisk.

, o abrandamento da gigante farmacêutica, responsável pelos populares medicamentos Ozempic (diabtes) e Wegovy (perda de peso), pesou de forma decisiva nas exportações do país, que caíram significativamente no arranque do ano após o forte aumento registado no final de 2024. As razões mencionadas pelo Ministério são o “aumento dos stocks e da concorrência no mercado dos medicamentos para a perda de peso, o que fez com que a Novo Nordisk perdesse participação de mercado”.

No comunicado citado pela mesma publicação, o Governo de Copenhaga sublinha que “o crescimento no primeiro trimestre de 2025 foi mais fraco do que o esperado” e que, em conjunto com a subida das tarifas norte-americanas e as perspetivas revistas em baixa para a indústria farmacêutica, houve lugar a uma “redução significativa da estimativa para o PIB”. Apesar do corte, o ministério enfatizou que a economia continua a mostrar robustez, com níveis elevados de emprego e inflação projetada para menos de 2% este ano.

A importância da Novo Nordisk na economia dinamarquesa tem sido amplamente reconhecida. Nos últimos anos, o crescimento do país foi impulsionado em grande medida pelas exportações farmacêuticas. , a empresa está por trás de quase 40% das exportações do país e a sua capitalização de mercado excede o PIB dinamarquês. A correção agora anunciada demonstra, no entanto, a vulnerabilidade que advém dessa dependência, algo já sublinhado por vários economistas.

O abalo no plano macroeconómico coincidiu com um momento de turbulência na própria farmacêutica. A Novo Nordisk anunciou recentemente uma revisão em baixa das previsões para o exercício de 2025: espera agora um crescimento das vendas entre 8% e 14% (antes 13% a 21%) e um aumento do lucro entre 10% e 16% (antes 16% a 24%). A notícia levou a uma queda de 25% das ações numa única sessão, apagando mais de 80 mil milhões de euros em valor de mercado,

Ainda assim, os . A empresa reportou um lucro de 55,5 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 7,4 mil milhões de euros), mais 22% face ao ano anterior, e as vendas do Wegovy aumentaram 67% no segundo trimestre. Mas a concorrência crescente de rivais como a Eli Lilly, bem como o recurso a versões manipuladas em farmácias do composto GLP-1, têm limitado o potencial de expansão.

A incerteza levou também a mudanças na liderança: Lars Fruergaard Jørgensen, que conduziu a empresa durante o “boom” dos medicamentos para perda de peso, passou o testemunho a Maziar Mike Doustdar, que assumiu a presidência executiva a 7 de agosto. Na apresentação de resultados, Jørgensen garantiu que a farmacêutica está a “tomar medidas para melhorar ainda mais a execução comercial e garantir eficiências na estrutura de custos, ao mesmo tempo que continuamos a investir no crescimento futuro”, citou a Reuters.

O peso da Novo Nordisk no desempenho económico da Dinamarca levanta agora um debate mais amplo. , a forte exposição a uma única empresa cria riscos sistémicos para o país, apesar dos benefícios fiscais e da projeção internacional que trouxe nos últimos anos. A revisão da previsão de crescimento é, assim, um sinal de alerta para a necessidade de maior diversificação da economia dinamarquesa.

As ações da Novo Nordisk estão a negociar em baixa a esta hora, cedendo 1,06% para as 355 coroas dinamarquesas (cerca de 47,5 euros).