Com o objetivo de se protegerem das taxas que a União Europeia (UE) decidiu impor sobre os seus carros elétricos, as fabricantes de automóveis chinesas estarão a tirar proveito de uma lacuna, apostando nos modelos híbridos.
Embora esteja a ponderar cancelá-las, em 2024, a UE aprovou a imposição de taxas sobre os carros elétricos produzidos na China, visando resolver o que considera ser concorrência desleal, devido aos apoios governamentais que as empresas chinesas recebem e lhes permitem praticar preços altamente competitivos, especialmente em comparação com os nomes europeus.
Uma vez que o mercado europeu representa um objetivo para a maioria das grandes marcas chinesas, as empresas encontraram uma forma de contornar as taxas: construir instalações locais destinadas à produção e exportar a partir da China modelos híbridos.
Empresas chinesas perceberam que os híbridos estão numa zona cinzenta
Os híbridos estão numa zona relativamente segura, uma vez que são apenas parcialmente abrangidos pelo sistema de taxas da UE. Por isso, considerando que são populares entre os clientes europeus, as empresas chinesas estão a usá-los para se manterem fortes.
Segundo dados recentes da Dataforce, a BYD registou 20.000 híbridos plug-in, na UE, durante o primeiro semestre do ano. Este número representa mais do triplo do número de híbridos plug-in que importou para a Europa durante todo o ano de 2024.
Além disso, a MG importou mais híbridos plug-in entre janeiro e junho do que em todo o ano de 2024, e a Lynk & Co está, também, a importar mais híbridos plug-in para a Europa do que nunca.
Era apenas uma questão de tempo até que as fabricantes chineses mudassem a sua estratégia após a introdução das taxas especiais, a fim de aumentar a sua rentabilidade na Europa.
Disse a diretora do Centro de Pesquisa Automóvel da Alemanha, Beatrix Keim, ao Handelsblatt.